No dia 27 de Novembro de 2006, a equipe do Projeto Ato de 4 realizou um encontro especial com as diversas “gerações” do Ato para comemorar 10 anos do projeto. Na Mesa Redonda estavam Bertho Filho e Ney Wendel (fundadores), Maurício Pedrosa, Pedro Henriques, Carol Vieira e Lucy (antigos membros da equipe).
Na platéia, cerca de 30 alunos da Escola, em sua maioria do curso de Licenciatura, e alguns professores, puderam ouvir as lembranças, críticas e apelos de pessoas que realmente tinham muito o que dizer.
A primeira fala, de Bertho Filho, um dos fundadores do Ato de 4, gerou furor entre os presentes, por sua contundência e rancor, aliadas a um pessimismo em relação ao que, para ele, se tornou a Escola de Teatro. Dizendo-se quase expulso da Escola, por sofrer “julgamentos”, e guardando uma “imensa mágoa”, Bertho expôs seu luto por haverem naquele evento tão poucos alunos e perceber a desconexão entre os cursos e as pessoas. Um pesado silêncio tomou conta da Sala 5. As palmas demoraram a vir, e quando vieram, o receio ainda era perceptível.
Ney Wendel, também fundador e segundo a falar na Mesa Redonda, foi o justo contraponto a Bertho Filho. E, segundo ele, o contraste entre os dois sempre esteve presente e foi fundamental para o nascimento do Ato de 4. Ney valorizou o Projeto como um excelente formador de platéia para a Escola nos últimos 10 anos, além de ser um espaço para o aprender e para o reconhecimento. “Agradeço muito ao Ato. Tenho meus ganhos devido à essa história, que é de doação. Doar é ganhar”.
A fala seguinte, da professora e ex-aluna da Escola, Carol Vieira, advertiu quanto à seriedade da experimentação no Ato. “Vamos experimentar sim, mas como? Às vezes isso é levado na brincadeira, e acho que precisa-se saber o que se quer agora”.
Em consonância com Carol Vieira, Pedro Henriques, também professor, e ex-aluno da Escola, falou sobre levar este espaço de experimentação à sério. “Não dá pra fazer cena ensaiando em um dia”. Pedro mostrou-se um dos mais otimistas quanto ao futuro e papel do Ato de 4 dentro da Escola. Dirigindo-se aos alunos presentes, disse, em tom visivelmente emocionado, “vocês são os futuros professores da Escola de Teatro. Procurem! Busquem! Este espaço é de vocês!”. O professor, que foi líder da Equipe do Ato no passado, falou também sobre as mudanças de geração na Escola. “A minha geração não é maior do que a geração de ninguém. Há períodos de cheia e de vazante. O perfil dos alunos, professores e Escola está mudando. A teoria é mais valorizada do que a prática. O Ato de 4 é uma possibilidade real de prática”.
Quanto à importância de sistematização de trabalho no Ato, Maurício Pedrosa, que como os demais membros foi aluno da Escola e hoje é professor do departamento de técnicas do espetáculo, lembrou que ensaiava 3 meses para estrear uma cena no Projeto. “Havia uma seleção, então precisávamos saber o quê, como e pra quê estávamos fazendo a cena”. Ele e Lucy, que além de ex-aluna, é mãe de um formando em Direção pela Escola, participaram da primeira cena apresentada pelo Ato, há 10 anos. Lucy ainda fez proposições concretas na busca dessa sistematização: “vocês precisam se conhecer, saber quais são os potenciais, o que cada um sabe fazer. Sugiro a troca de currículos entre os atores e a criação de um banco de dados dos alunos”.
A tônica de todos os membros da Mesa Redonda foi a re-união dos alunos dos diferentes cursos da Escola, para que o Ato de 4 se consolide novamente, já que nos últimos anos tem havido uma queda de participação efetiva e há meses em que apenas uma cena está sendo apresentada. “Teatro sem o outro não é possível”, disse Pedro Henriques, “o Ato de 4 é um ato de humildade. Ninguém é diferente de nada porque está no palco. Cuidado com o maldito vírus do nariz empinado!”
A mesa então abriu espaço para colocações dos alunos e professores. Gláucio Machado, chefe do departamento de técnicas do espetáculo, deixou claro que o departamento estará sempre de portas abertas para a boa prática da experimentação. Os alunos que se colocaram, também se mostraram otimistas e bem impressionados com a equipe. Mas, os problemas não foram esquecidos. “É uma luta manter este espaço. Temos que dar conta das aulas, e muitas vezes professores ocupam a sala na hora em que deveríamos estar aqui”, disse Milana Oliveira.
Ficou clara a importância da divulgação e valorização do Ato de 4, que é um projeto de extensão aprovado em Congregação. Um espaço oficial de experimentação dos alunos, sendo estes, portanto, os grandes responsáveis pelo seu êxito e continuidade . Ecoaram as palavras da professora Carol Vieira e do professor Maurício Pedrosa, quando lançaram a pergunta “o que se quer com isso?” A participação ínfima dos alunos, principalmente dos cursos de direção e interpretação, é preocupante.
Por outro lado, o calor e a vibração entre os presentes, ouvindo as histórias valorosas do passado, injetaram ânimo e esperança quanto ao futuro. O encontro foi coroado com um verdadeiro banquete, preparado (e patrocinado) pelo Sonho de Buffet, a deliciosa casa de prazeres da gula da mãe de Milana Oliveira. Ali, sob os bons auspícios de Dionísio e saboreando as surpreendentes iguarias oferecidas, o Ato de 4 renovou-se, iniciando mais um ciclo e esperando que os novos alunos reconheçam e usufruam deste fundamental espaço de aprendizado e descobertas.
Fotos: Equipe Ato de 4
2 comentários:
Valeu pela iniciativa, estou contente e espero que esse espaço continue.
Beijos!
Claudio Mendes
Passar pelas dificuldades das primeiras experiências pode resultar em multações beneficas como a desses Super-Camundongos. Que observam, refletem e trazem novidades!
Milana Oliveira
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